Influentes, solitarios, viscerais, sempre situados numa relacao de conflito com a sociedade, artistas tidos como malditos evidenciam o processo muitas vezes doloroso em que a arte busca uma dimensao de autonomia.
CICLO DE PALESTRAS SOBRE ARTE [Terças-feiras, 14h-16h]
Influentes, solitários, viscerais, perturbadores, trágicos, polêmicos, vastos, malditos, geniais. Artistas cujas produções mudaram os rumos da História da Arte de forma irreversível. Criadores de imagens que iluminaram os horizontes artísticos ao longo dos séculos tanto quanto os apagaram, deixando também um grande "silêncio". Neste ciclo de palestras buscaremos compreender melhor as vidas e obras destes que estão entre os maiores e mais fascinantes artistas do século 17 ao 20, cada um deles submerso num mundo particular, um mundo feito de prazeres e dores, beleza e fealdade, arte e intensidade, maldição e glória, luzes e sombras.
Se Caravaggio, Van Gogh, Modigliani e Kahlo parecem encarnar bem a ideia romântica do "artista maldito", por outro lado, Monet, Matisse e Picasso conheceram, como poucos, a consagração em vida. Outros, por seu turno, alternaram em suas trajetórias momentos de crises e de glória, como parecem ter sido os casos de Goya, Klimt e Duchamp. O conceito de "maldito" está profundamente ligado ao século 19, e muito embora este tipo de artista talvez não mais exista, a noção pode ser estendida a outras épocas, inclusive à nossa, pois, de acordo com o crítico literário Camille Dumoulié, trata-se de "um mito que continua ativo para dar a dimensão sagrada ao artista num mundo onde não há mais o aspecto sagrado da arte". A "maldição" na arte se manifesta de diversas formas: da exaltação do mal (Goya, Klimt) à proximidade com o universo do crime (Caravaggio) ou da doença (Van Gogh, Kahlo, Modigliani); da sexualidade fora dos padrões (Caravaggio, Kahlo) à incompreensão e pouco reconhecimento em vida (Van Gogh, Frida, Modigliani e Duchamp); e, finalmente, à subversão dos valores estéticos vigentes (o que se verifica em todos eles).
A confiar no fato de que qualquer obra de arte é "o modo pelo qual uma subjetividade se plasma", em muitos destes criadores, podemos localizar também um sintoma de "arte-vida" na sua voltagem máxima.
CRONOGRAMA:
Palestra 1 (03/03): Luzes e Sombras: Arte e intensidade em Caravaggio Palestra 2 (10/03): Goya: Aurora e crepúsculo de um visionário Palestra 3 (17/03): Monet – Quando a pintura se fez luz Palestra 4 (24/03): Van Gogh, um gênio décadent no auge do fin de siècle Palestra 5 (31/03): Klimt e a introdução do Modernismo em Viena Palestra 6 (14/04): Matisse: A reinvenção da cor Palestra 7 (21/04): Picasso – A relativização do tempo e do espaço Palestra 8 (28/04): Modigliani: agonia e poesia na obra de um maldito Palestra 9 (05/05): Frida Kahlo: Viva la vida! (Sobre a beleza e a fealdade da existência) Palestra 10 (12/05): Duchamp - Por uma ontologia da arte: uma indagação filosófica
[Observação: No dia 07/04 não haverá palestra, devido a uma viagem do professor com um grupo de alunos a São Paulo]
SOBRE
Luiz Flavio
Luiz Flavio estudou Bacharelado e Mestrado em Artes Visuais na UFMG, além de Filosofia. Foi professor em cursos de graduação e pós-graduação da Escola Guignard/UEMG e da PUC-Minas, além de colaborar em projetos educativos da Fundação Dom Cabral. Participou, como artista plástico, de cerca de 60 exposições e prêmios de arte em museus e galerias no Brasil e no exterior, possuindo obras em importantes coleções públicas e particulares. Escreveu para revistas, jornais, catálogos e livros de diversos artistas e realizou algumas curadorias. Há anos, atua como professor em cursos livres de História da Arte, Filosofia, Mitologia Grega e Cinema, além de organizar dezenas de viagens de estudos para grupos a museus, bienais e exposições de arte em mais de 60 cidades do Brasil e do mundo.
